Ingressei na Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS (Fabico) no ano de 2002 após três anos de uma ardente luta para passar no Concurso Vestibular. Visto que, sendo aluna proveniente de um ensino fundamental medíocre e de um ensino médio técnico, minhas deficiências eram enormes e por isso meus esforços tiveram que ser redobrados. Enfim, passado à peregrinação “vestibulistica”, nos meses que antecederam o início do calendário, meu estado era de extrema excitação, euforia e curiosidade. Entrar no núcleo dos comunicadores, conhecer e me embrenhar na tão falada vida acadêmica, idealizada pela maioria dos jovens que eu conhecia na época, era um sonho realizado. Por conta disso, eu passava horas e mais horas imaginando, pensando e idealizando tudo.
- Agora sim, saberei o que é conhecimento!
- Putz! Não terei tempo para mais nada. Minha vida será totalmente consumida pela faculdade.
- Vou comprar milhões de livros, conhecer diversas pessoas interessantes, participar de dezenas de eventos...
Nossa! Quantas expectativas rondavam minha cabeça naquela época.
Hoje, passados cinco anos e seis meses do meu ingresso na universidade, já formada, portanto com uma visão de fora, concluo que nem a metade das minhas expectativas foi sanada. Na verdade, lá pelo 4º semestre as minhas ilusões já haviam caído por terra e a partir dali afundaram-se cada vez mais em um mar de incompetência do qual eu só me vi livre quando me formei. Acho que durante todos esses anos eu arrecadei tantas desilusões que, se somadas, preenchem a cota para todos os demais cursos que eu deseje fazer na vida.
Conhecimento, este caso foi ainda mais peculiar, pois desde o início do curso pude perceber que o mínimo que eu aprendesse já seria o suficiente para me destacar no meio de tanta mediocridade. Para vocês terem uma idéia, na Fabico, uma pessoa pode passar os cinco anos lendo apenas alguns polígrafos, participando de alguns seminários e assistindo algumas aulas ou, no caso das “aulas virtuais”, não assistindo nenhuma e, ainda assim, ser laureado ao final do curso. Já eu, que nunca fui acostumada ao suficiente, fui em busca do “algo mais”, para assim tentar fugir da alienação alimentada não só pelos colegas, mas também pelos professores desmotivados que encontrei pelo caminho. Foi aí que descobri uma paixão pela pesquisa, que também não pude alimentar na Fabico já que o curso de Relações Públicas não proporciona essa atividade.
Quanto ao tempo, a faculdade me consumiu muito menos do que eu esperava. Com o passar dos semestres as cadeiras iam ficando mais fáceis e os professores exigindo muito pouco da criatividade, complexidade e crítica dos alunos. Sem contar que, em regra, esses professores fugiam a súmula das disciplinas, repetiam os conteúdos em todos os semestres e quando davam aula os conteúdos eram simples, superficiais e óbvios. Mas isso não podia ser diferente, pois dos professores que ministravam as cadeiras de Relações Públicas e que me deram aula apenas dois eram do quadro efetivo da UFRGS. Agora pasmem! Os demais eram todos professores substitutos que possuíam não mais do que a graduação. Hahaha... Podem rir! Talvez por tudo isso eu não tenha me surpreendido com o desespero de muitos colegas quando chegou o momento de realizar o Trabalho de Conclusão de Curso... Alguns não sabiam sequer por onde começar o trabalho.
Agora, o que realmente me “atolou” foram os estágios. Esses sim, sugadores do potencial estudantil, da mão de obra qualificada, barata e desesperada em obter no estágio o conhecimento que a universidade não proporciona. Mas, mesmo sem concordar com a exploração dos universitários pelas empresas e achar que a legislação dos estágios deve ser mais rígida, foi graças a eles que eu pude perceber que precisava de muito mais para crescer profissionalmente.
Mas apesar dos pesares, não me arrependo dessa passagem pela Fabico. Foi uma experiência de auto-aprendizado muito satisfatória. Através dela descobri alguns talentos, trabalhei algumas fraquezas, conheci muitas pessoas, mas principalmente trilhei o caminho da persistência. E estou certa que este caminho só poderá me levar ao sucesso.
Pós Fabico, só posso dizer duas coisas: Primeiro, que ficou uma grande sede de conhecimento que pretendo amenizar com uma próxima faculdade. E desta vez não me contentarei com um mero “cursinho técnico”, como diz o grande professor Wladimyr Ungaretti, defensor do que ele chama de Implosão do Clubismo; Segundo, que sinto profundamente por serem essa as minhas lembranças dessa fase estudantil, pois acho que a faculdade deve ser um período de realizações e não de desilusões e espero um dia olhar para trás e identificar uma visão um pouco radical e ingênua neste meu discurso, mas estou quase certa de que isto não irá acontecer.
- Agora sim, saberei o que é conhecimento!
- Putz! Não terei tempo para mais nada. Minha vida será totalmente consumida pela faculdade.
- Vou comprar milhões de livros, conhecer diversas pessoas interessantes, participar de dezenas de eventos...
Nossa! Quantas expectativas rondavam minha cabeça naquela época.
Hoje, passados cinco anos e seis meses do meu ingresso na universidade, já formada, portanto com uma visão de fora, concluo que nem a metade das minhas expectativas foi sanada. Na verdade, lá pelo 4º semestre as minhas ilusões já haviam caído por terra e a partir dali afundaram-se cada vez mais em um mar de incompetência do qual eu só me vi livre quando me formei. Acho que durante todos esses anos eu arrecadei tantas desilusões que, se somadas, preenchem a cota para todos os demais cursos que eu deseje fazer na vida.
Conhecimento, este caso foi ainda mais peculiar, pois desde o início do curso pude perceber que o mínimo que eu aprendesse já seria o suficiente para me destacar no meio de tanta mediocridade. Para vocês terem uma idéia, na Fabico, uma pessoa pode passar os cinco anos lendo apenas alguns polígrafos, participando de alguns seminários e assistindo algumas aulas ou, no caso das “aulas virtuais”, não assistindo nenhuma e, ainda assim, ser laureado ao final do curso. Já eu, que nunca fui acostumada ao suficiente, fui em busca do “algo mais”, para assim tentar fugir da alienação alimentada não só pelos colegas, mas também pelos professores desmotivados que encontrei pelo caminho. Foi aí que descobri uma paixão pela pesquisa, que também não pude alimentar na Fabico já que o curso de Relações Públicas não proporciona essa atividade.
Quanto ao tempo, a faculdade me consumiu muito menos do que eu esperava. Com o passar dos semestres as cadeiras iam ficando mais fáceis e os professores exigindo muito pouco da criatividade, complexidade e crítica dos alunos. Sem contar que, em regra, esses professores fugiam a súmula das disciplinas, repetiam os conteúdos em todos os semestres e quando davam aula os conteúdos eram simples, superficiais e óbvios. Mas isso não podia ser diferente, pois dos professores que ministravam as cadeiras de Relações Públicas e que me deram aula apenas dois eram do quadro efetivo da UFRGS. Agora pasmem! Os demais eram todos professores substitutos que possuíam não mais do que a graduação. Hahaha... Podem rir! Talvez por tudo isso eu não tenha me surpreendido com o desespero de muitos colegas quando chegou o momento de realizar o Trabalho de Conclusão de Curso... Alguns não sabiam sequer por onde começar o trabalho.
Agora, o que realmente me “atolou” foram os estágios. Esses sim, sugadores do potencial estudantil, da mão de obra qualificada, barata e desesperada em obter no estágio o conhecimento que a universidade não proporciona. Mas, mesmo sem concordar com a exploração dos universitários pelas empresas e achar que a legislação dos estágios deve ser mais rígida, foi graças a eles que eu pude perceber que precisava de muito mais para crescer profissionalmente.
Mas apesar dos pesares, não me arrependo dessa passagem pela Fabico. Foi uma experiência de auto-aprendizado muito satisfatória. Através dela descobri alguns talentos, trabalhei algumas fraquezas, conheci muitas pessoas, mas principalmente trilhei o caminho da persistência. E estou certa que este caminho só poderá me levar ao sucesso.
Pós Fabico, só posso dizer duas coisas: Primeiro, que ficou uma grande sede de conhecimento que pretendo amenizar com uma próxima faculdade. E desta vez não me contentarei com um mero “cursinho técnico”, como diz o grande professor Wladimyr Ungaretti, defensor do que ele chama de Implosão do Clubismo; Segundo, que sinto profundamente por serem essa as minhas lembranças dessa fase estudantil, pois acho que a faculdade deve ser um período de realizações e não de desilusões e espero um dia olhar para trás e identificar uma visão um pouco radical e ingênua neste meu discurso, mas estou quase certa de que isto não irá acontecer.
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