Nem tudo nesta vida precisa ter nexo, pois isso não é o mais relevante.
Para viver uma vida é preciso esquecer o nexo das coisas e aprender a pensar diferente.
É preciso ter uma alternativa para o mundo.

21 de setembro de 2010

A redescoberta do amante

Acordar ao lado dele sempre lhe trouxe aquela sensação morna de inverno embaixo do cobertor, sensação de corpo, de calor humano. Mas esta manhã alguma coisa mudou. Ainda de olhos fechados ela sentiu o lacivo prazer que vinha do corpo que envolvia o seu num abraço matinal. Entreabrindo os olhos, fitou suas mãos e apertou firme contra seu peito. Sentindo sua respiração no meio de suas costas, seguiu com os olhos aqueles braços tatuados, deparando-se enfim com a face morena e expressiva do seu amante. Sempre foi uma característica forte dele o olhar penetrante e o sorriso largo. Incrível como ele lhe atraia mesmo dormindo. Ela contemplou por alguns instantes seu rosto de homem maduro, ainda muito parecido com aquele jovem de treze anos atrás, mas muito mais bonito. Passando as mãos em seus cabelos escuros, lembrou-se das várias manhãs - frias, quentes, chuvosas, ensolaradas - em que acordou ao lado daquele homem. E assim, inebriada pelo seu cheiro e sentindo o prazer do seu toque, ela adormeceu. Quando acordou ele estava já vestido, sentado sobre a cama, lhe acariciando os braços. Como em poucas vezes ela quis intensamente que ele ficasse, mas como sempre não disse nada. Essa sempre foi uma característica dela... O beijo da despedida nunca foi tão dolorido. Ela fechou a porta e correu para a janela...  Ficou contando os passos dele rumo ao carro, estacionado na esquina. Pensou em chamar seu nome e dizer que o amava, mas apenas lhe jogou um beijo.

para dca

vgcg - jul/2010

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