Pobre Augusto, em sua época era tido como anjo caído...
Ignorado pela crítica, seus versos foram rotulados de estapafúrdios e aberrantes.
Mas como dizer isso de um gênio que teve a capacidade, a sensibilidade e a felicidade de escrever 'O meu Nirvana'?
"No alheamento da obscura forma humana,
De que, pensando, me desencarcero,
Foi que eu, num grito de emoção, sincero,
Encontrei, afinal, o meu Nirvana.
Nessa manumissão schopenhaueriana,
Onde a Vida do humano aspecto fero
Se desarraiga, eu, feito força, impero
Na imanência da Idéia Soberana!
Destruída a sensação que oriunda fora
Do tato - ínfima antena aferidora
Destas tegumentárias mãos plebéias -
Gozo o prazer, que os anos não carcomem,
De haver trocado a minha forma de homem
Pela imortalidade das Idéias!"
Augusto dos Anjos
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