Tarefa difícil para uma leonina egocêntrica, mas não impossível.
Quando me foi dada esta tarefa eu pensei: bom, já que é para ser pequeno que seja em grande estilo!
Então, guardei a tarefa para ser cumprida em um momento realmente merecedor da minha pequenez.
Não sei se vocês vão conseguir me entender, mas pelo que eu entendi do jogo a tarefa está cumprida quando a ação faz sentido para gente, e fez todo o sentido para mim...
Naquele dia eu estava me sentindo um traste humano. A alegria por ter realizado um sonho, agora era substituída pela impotência de não saber como lidar com uma situação difícil e inesperada. Eu já havia passado por muitas situações difíceis na vida, mas como aquela nunca.
Quando saí do hotel parecia que o meu coração ia estourar. Um aperto no peito, uma vontade de chorar, de sair correndo, de gritar... Sei lá! Qualquer coisa que me fizesse desabafar, parir aquele sentimento de rejeição.
Peguei um ônibus em frente a Rodoviária, liguei o rádio, troquei o salto alto pelo par de sapatilhas que tinha na bolsa (sim, eu tenho muitas coisas na minha bolsa) e me recostei no banco tentando relaxar um pouco. Quando o ônibus chegou no final da linha, pensei em descer e dar um pulo na casa da minha mãe, mas achei melhor ficar sozinha... Então segui.
Ao perceber que o trajeto do ônibus passava pelo gasômetro, resolvi descer e dar uma volta na beira do Guaíba. Havia muitas pessoas naquele fim de tarde. Algumas admirando o pôr do sol, outras se exercitando, outra apenas tomando um chimarão... E eu ali, sozinha, com a minha angustia sem fim, com a minha autopiedade, com o meu sofrimento.
Estendi o meu casaco na grama, sentei e fiquei a contemplar aquele lindo e tranquilizante por do sol. O céu se estendia num azul claro, ficando avermelhado na medida em que se aproximava do sol. Esse por sua vez, num amarelo brilhante... Uma bola de fogo tentando se esconder no horizonte. No rádio tocava um blues (agora não lembro qual) eu fui ficando mole e aos poucos aquele sentimento de impotência foi me abandonando.
Brotou-me no coração uma alegria desmedida, uma tranquilidade morna e aconchegante, um alívio trazido pela brisa que soprava a balançava as árvores na orla do Guaíba.
Nada mais era real, nada mais estava ao meu redor... Apenas aquele sol, distante e intocável que insistia em se esconder no horizonte. Senti-me pequena, me senti vulnerável e consumida por aquela paisagem. Mas nunca me senti tão bem. A certeza de que eu não era o centro do mundo nunca foi tão clara. A minha irrelevância se fez presente naquele fim de tarde. O sol foi maior que tudo. O sol me diminuiu e me fez perceber a minha pequenez. Mas eu nunca me senti tão feliz. Pois percebi que por ser assim, tão pequena, eu cabia no mundo e podia contemplar a sua beleza!
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