Nem tudo nesta vida precisa ter nexo, pois isso não é o mais relevante.
Para viver uma vida é preciso esquecer o nexo das coisas e aprender a pensar diferente.
É preciso ter uma alternativa para o mundo.

3 de outubro de 2009

Toca o despertador, abro os olhos, sinto um aperto no coração. Uma sensação de despedida, de último dia, gosto amargo de vazio. Penso: - Nunca fui boa em despedidas!

Eu adoro apresentações, conhecer, saber, sentir a alegria de compartilhar... Mas me despedir? Não, isso definitivamente não é comigo. Despedidas me remetem uma sensação de divisão, de supressão, de saudade. Não gosto de sentir saudade, pois não sei senti-la sem dor.

Após alguns minutos na cama, pensando, agarro-me a coragem que tenta escapar pelos dedos e levanto para entrar no banho. Putz! AAAAAAAAAHHHHHHH! O chuveiro queimou... - Ai meu Jesus Cristinho, esse dia promete!

Visto uma roupa, coloco algumas coisas na bolsa (para tomar um banho na casa dos meus pais antes de ir para o trabalho) e saio de casa. Caminho pela Rua da Republica e tento pensar em outra coisa, mas não consigo, logo os olhos enchem de lágrima - a imagem da despedida me invade os pensamentos.

Chego no Sindicato para assinar a rescisão. Ao pegar a carta homologada nas mãos, me vem a tona a lembrança das pessoas queridas. - Agora é sério! Não tem mais como fingir que nada vai mudar, que eu vou continuar vendo aquelas doidas; fazendo a dancinha da Sinara; dando gargalhadas com a Ilce até chorar; ouvindo o galo da Paula cantar; conversando com a Mel apenas com o olhar; implicando com o Val e com a Suzan; rindo das besteiras do Felipe; ficando pasma com a naturalidade atrevida da Deisy; encomodando o Fernando e o Leandro... Vivendo situações e conhecendo as pessoas pelos corredores. Agora tudo será diferente! Pensando nisso eu assino o papel - a garantia de que não tem como mudar de idéia.

Ao entrar na Galeria me vem na lembrança a imagem da primeira vez que entrei lá. O porteiro continua o mesmo, sempre prestativo, as lojas continuam as mesmas. Exceto pelos Escritórios de Advocacia que ficam urubuzando na nossa porta, o resto continua tudo igual! As coisas são iguais, mas o meu sentimento não. O que ontem foi esperança, ansiedade e alegria, hoje se traduz em saudade, tristeza e angustia. Não pelo que virá no futuro, mas por não mais encontrar aquelas pessoas que me são tão caras, que tornaram a minha vida tão melhor.

O dia transcorre numa correria danada, apenas a Sinara e eu na sala. Um dia atípico, mas ideal para quem não gosta de despedidas. Na verdade, praticamente toda a empresa esta em um treinamento externo e isso me parece uma grande e conveniente coincidência. No meu último dia de empresa eu posso me esquivar da obrigação da despedida e isso é ótimo!!! Uma sensação de: - Até semana que vem! Mas, ao final do expediente, sair da sala com duas sacolas cheias de tralhas é inevitável. E de uma forma ou de outra a despedida se concretiza.

Chega a noite, um indecisão doida e quase única me envolve: - Com que roupa eu vou? No troca-troca eu nem percebo o tempo passar e quando dou por mim a Mara já esta no meu portão... Coloco a primeira roupa e saio correndo pelas escadas. Ligo pra Mel, ela confirma que vai direto para o Batemacumba.

A Mara (companheiraça da noite, uma grande descoberta) e eu chegamos então ao Vermelho 23. Emoção é a palavra! Simplesmente sentimento a flor da pele... Um momento de relaxar, de sentir, de esquecer tudo e me concentrar em mim. Uma passagem, uma verdadeira transição para alma.

Ao final do show do Jazz Gig, pedimos alguns pastéis para recarregar as energias, conversamos com o Leandro e com o PC (um doido de pedra) e vamos então para o Batemacumba. A Mel, o Fábio, o Felipe e a Carol já estam lá... Que coisa mais gostosa ver a carinha deles, uma das melhores coisas da noite!!!

Dançamos, dançamos, dançamos... Muuuuuuiiiiiiiiiito bom!

Problemas da noite: Tinha um cara na festa. Um cara legal, com olhar profundo, apaixonante já a primeira vista - imagina a segunda vista! Mas ele não me deu bola. Uma pena, pois sinto saudade dele. No final da festa chegou o outro cara. Outro cara legal, com sorriso que hipnotiza e um magnetismo que prende. Ele me deu bola. O que também foi uma pena, pois eu não deveria mais ficar com ele.

Fim de festa, os amigos foram embora, o 1º cara legal foi embora, eu e o 2º cara legal também fomos embora...

Acordo na manhã seguinte sem saber o motivo de estar lá. Não há duvida que eu gosto do 2º cara da noite, pois já faz mais de três anos que rola este “esquema”... Mas é justamente por isso que eu não deveria estar lá, pois o futuro não é promissor.

Chego em casa, já passam das 13h, coloco um tênis e vou caminhar no Gasômetro... Sento de frente pro rio, o sol aparece entre nuvens, toca um blues no meu radinho de fone, fecho os olhos e viajo na música...

E mais uma vez o vazio me consome!

*Outubro de 2009

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