Nem tudo nesta vida precisa ter nexo, pois isso não é o mais relevante.
Para viver uma vida é preciso esquecer o nexo das coisas e aprender a pensar diferente.
É preciso ter uma alternativa para o mundo.

22 de março de 2007

Vida Periférica

Diz-se que um mesmo fato possui vários lados e que as pessoas só enxergam o mais conveniente para elas ou para nós. Isso acontece em decorrência da “luz”, mais precisamente pela maneira como ela é utilizada. Dependendo do lado ou de quem está “iluminando”, um mesmo acontecimento pode ser visto por diversos ângulos, gerando histórias completamente diferentes.

Para melhor entender este conceito imaginemos uma peça teatral cuja iluminação se dê apenas por um canhão de luz. No palco a personagem em destaque será aquela que detém o foco da luz, ficando os demais componentes inertes na escuridão. Mas o fato de não podermos vê-los não significa que eles não existam ou que sejam menos importantes. Dessa forma, “Vida Periférica” pode ser interpretada de diversas maneiras:

- Pode ser uma vida construída à margem dos acontecimentos relevantes ou do centro das discussões. Vivida por alguém que só se preocupa com a roupa, o programa, o bar ou a gíria do momento, ou seja, alguém que vive cercado pela superficialidade, que vive na periferia de uma vida cheia de modinhas trimestrais. Fazendo, dizendo, comprando, comendo, lendo e ouvindo o que está na moda... Vivendo como lhe é ditado;
- Também pode ser uma vida construída sob o foco da intelectualidade e do conhecimento superficial. Vivida por alguém que se informa, assiste e lê jornais, que está sempre nas rodas de discussão, mas que acredita na versão parcial dos acontecimentos sem questionar, sem argumentar. Alguém que vive na periferia dos fatos, enxergando apenas o lado que desejam lhe mostrar, vê e crê em tudo sem contrariar ou discordar. Esse é um dos grandes problemas do mundo atual, e um dos trunfos da indústria da comunicação. São poucos os que tentam mudar o ângulo da luz para descobrir o que está na escuridão;
- Ter uma "Vida Periférica" também pode ser viver a margem da sociedade capitalista. Não estar inserido no ciclo produtivo e consumidor do mundo atual, onde tudo está disponível para quem tem dinheiro e poder. É viver na periferia da dignidade e do orgulho de ser dono do seu próprio nariz e provedor da sua subsistência. É necessitar da caridade alheia para continuar vivendo;
- Uma "Vida Periférica" também pode ser atribuída à parcela da população que cria as modinhas que contaminam as mentes mais frágeis, que manipulam os acontecimentos de forma tendenciosa e coercitiva e que amenizam suas culpas ajudando aqueles que nada têm. Esses vivem na periferia de uma vida materialista e não se preocupam com o que realmente importa: a humanidade e o senso de coletividade.

Certamente você já deve ter imaginado uma série de outras vidas que se encaixariam perfeitamente no conceito de “Vida Periférica”. E esse é o objetivo. Convido vocês a saírem da periferia para enxergar o que realmente encontra-se no centro, pois isso é fundamental para quem deseja muito mais do que estar vivo.


"Sejamos irmãos porque estamos perdidos num planeta
suburbano, de um sol suburbano, de uma galáxia periférica,
de um mundo desprovido de centro". Edgar Morin

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